[Resenha] O Poderoso Chefão

Obra-prima de Mario Puzo

Tarefa hercúlea achar palavras para começar a resenha de um dos melhores – se não O melhor – livros que já me caíram em mãos até o momento.

A saga da Familia Corleone não é nada menos do que épica. Mario Puzo conseguiu a façanha de construir um universo complexo e muitíssimo verossímil. E envolvente como poucos. Há uma vasta gama de personagens, mas não pense que por sequer um momento o autor se perde: cada um deles é deveras esmiuçado, cheio de vida, tornando impossível não sentir algo em relação a eles, seja apreço, seja desprezo, seja compaixão. Uma teia habilmente construída os envolve de modo a dar a cada um sua devida importância, seu papel a desempenhar.

Don Vito Corleone é, sem dúvida, um dos personagens mais marcantes da literatura moderna, e com toda a razão. O fato de estar por trás de tanta sujeira, como assassinatos e outras atividades duvidosas, não o faz menos atraente. Pelo contrário: o leitor, pelo menos no meu caso, sente uma enorme afinidade com ele. É um personagem intricado, que possibilita a reflexão sobre os conceitos incertos do bem e do mal, do justo e do injusto.

Poderia elencar diversos outros personagens que fazem deste livro uma joia rara, trabalho este certamente longo e dispendioso. Mas é interessante observar a evolução pela qual Michael, o filho mais novo do Don, passa durante a história. Sem dúvida, para mim, o segundo destaque do livro. Também não posso deixar de citar Johnny Fontane, um dos afilhados do chefe da Família Corleone, um personagem divertido e irreverente. Cito os que mais me chamaram a atenção, mas todos são bastante críveis e bem trabalhados.

O romance é bem escrito. Muito. Uma aula de narração, utilizando uma técnica que prende até nos momentos mais calmos. As subtramas, como a de Fontane, por exemplo, acabam por somar-se com maestria à principal: a guerra da Família Corleone contra as demais Famílias mafiosas. Há vários momentos de tensão, o que me impossibilitou de largar o livro até que todas as 655 páginas tivessem sido lidas. Valeu a pena. E como.

O cenário dos Estados Unidos pós-guerra é convincente, os personagens agindo de acordo com os costumes e a moralidade da época, o que é pretexto para uma boa reflexão. Percebe-se como certas coisas mudaram em relação ao século XXI, e como outras continuam a mesma. O livro preza pelos valores da honra, da amizade, da lealdade, e, também, da autoridade e obediência. Mas não ao Estado constituído de Direito: Don Corleone e os chefes rivais não acreditam na e não respeitam a força das leis, procurando dobrá-las às suas vontades e manipular o sistema de modo que melhor os favoreça. São mostradas, aqui, toda a susceptibilidade e maleabilidade dos homens poderosos, fazendo um retrato fiel da extensão dos poderes das máfias.

Poderia entrar em outros pormenores, mas por certo me alongaria indefinidamente. Fica a minha grande recomendação. “O Poderoso Chefão” é um romance magistral, que certamente tem seu lugar reservado no hall dos livros eternos. O que está esperando para ler?

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4 respostas para [Resenha] O Poderoso Chefão

  1. Daniel Silva disse:

    Deve ser fantástico mesmo. Eu só vi o primeiro filme, infelizmente. Mas espero corrigir isso a tempo.

    Abraço

  2. carolina disse:

    Estou com vontade de ler por tua culpa xD

  3. Jimmyly disse:

    Vou ler por tua culpa! rs

  4. Ingrid disse:

    Eu assisti somente o 1º/2º filme … Gostei muito,pensei que era chato mais não, depois que assisti me apaixonei.

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