Sobre a influência religiosa na sociedade e suas consequências

Até então, evitei trazer à pauta do blog assuntos muito espinhosos, cujas exceções se podem ler aqui e aqui. Manifesto, aliás, minha vontade de aprofundar os dois textos linkados anteriormente, já que muito se passou desde que foram escritos e minha visão sobre certos pontos mudou bastante. Enfim. Quero agora aproveitar este espaço para fazer uma breve reflexão sobre um assunto que muito me tem incomodado: a interferência religiosa na sociedade e suas consequências.

Em primeiro lugar, queria lembrar a todos de que vivemos em um Estado laico, com fundamento no art. 19, inciso I da Constituição Federal, que veda o vínculo da União, Estados, Distrito Federal e Municípios com cultos religiosos – salvo quando há interesse público. Não cito o inciso III porque o considero vago, indistinto. Aliás, este artigo, por si só, é de uma fraqueza absoluta: deveria haver espaço claro na Carta Constitucional para tratar de solidificar a laicidade do nosso Estado, já que a desfaçatez de certos setores da sociedade é tal, que este princípio básico acaba por ser relegado a mera teoria.

É absurdo que as religiões possam ter tamanha influência não só no Brasil, mas no mundo como um todo. Vamos nos ater, contudo, à realidade mais próxima: a do nosso país. A força das religiões – e aqui faço um grifo no eixo judaico-cristão, que é o mais poderoso – se faz presente quando vemos entidades religiosas e igrejas dominarem grandes veículos de comunicação; quando percebemos o poder que líderes religiosos exercem sobre o comportamento e pensamento de seus rebanhos; e, principalmente, ao nos darmos conta de que um quinhão considerável do Congresso Nacional é ocupado por representantes de determinadas religiões.

Já começamos errado. Misturar religião com política é algo grotesco e deveria ser proibido. É claro que os religiosos têm direito a se posicionar politicamente, mas não enquanto religiosos, e sim como cidadãos. É de provocar engulhos a manifestação de entidades religiosas a favor ou contra certos candidatos, entrando no jogo das mentiras, calúnias e distorções que preenchem o cenário eleitoral. Onde está o art. 19, I? Ah, sim, esqueci que só funciona no campo teórico. Esqueci, também, de que carecemos de uma posição mais específica da legislação quanto a isso.

A influência religiosa na sociedade é evidente quando analisamos a questão do aborto. Segundo o art. 5º da CF, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. OK, vamos pensar um pouco: o que é “vida humana”? Quando começa? Quando termina? A definição mais aceita é, infelizmente, a religiosa, que diz que a vida começa na concepção, e isso encontra um respaldo absurdo no art. 2º do Código Civil de 2002. Friso, mais uma vez, que essa definição é de influência exclusivamente religiosa. Há morte quando não se tem mais atividade cerebral, sim? Então, por que a vida humana começaria no momento da concepção? A visão mais ponderada, afastando-se do dogma, é de que a vida humana se inicia com a atividade cerebral, a qual surge apenas depois da décima semana de gestação.

Quem levanta bandeira contra o aborto está ignorando – propositalmente ou não – que esta não é uma questão moral, não é uma questão de princípio, muito menos religiosa: aborto é questão de saúde pública. Porque, enquanto não for tomada uma atitude, milhares de mulheres continuarão morrendo ao se submeterem a cirurgias arriscadas, em ambientes insalubres e sem condições de recuperação adequada. E quando digo “mulheres”, estou me referindo, obviamente, àquelas que não têm condição alguma de pagar por tratamento adequado com médicos caros em clínicas de luxo ilegais. Quem levanta a bandeira contra o aborto está sendo cúmplice dessas mortes, ignorando uma questão gravíssima que só será resolvida com conscientização e, principalmente, com a regularização do aborto. As exceções – em caso de estupro, gravidez de risco, etc. – não são suficientes. Não é justo tolhermos das mulheres o direito ao controle de seu corpo; é preciso regularizar amplamente.

Outra coisa necessária é deixar a hipocrisia e o egoísmo de lado. Vamos parar com essa história de que os meus interesses privados, os interesses da minha classe devem se sobrepor ao interesse sociocoletivo. Não. Questões de interesse da sociedade como um todo não devem ser deixadas de lado só porque os dogmas religiosos ensinam que o aborto é uma afronta a deus, que a união homossexual é um pecado, uma aberração. Muitos religiosos vêm com um papo de “liberdade religiosa”. Ok, e a minha liberdade de querer respeito e maior igualdade? Religiões, de um modo geral, pregam o preconceito exposto, a discriminação racial, religiosa e sexual, a submissão feminina, a matança de animais e um leque vasto de outros disparates. Quer dizer que, neste Estado laico, os direitos de aborto e união homossexual vão ser estorvados por causa de dogmas religiosos? Por questões morais? As pessoas precisam aprender que suas crenças religiosas não podem interferir naquilo que diz respeito à coletividade. Ou, então, rasguemos a CF, com toda a conversa de igualdade e liberdade.

Não há igualdade. Não há liberdade. Digo, não há igualdade e liberdade no sentindo amplo, ou seja, para todos. Tais direitos são luxos dos quais apenas um segmento da sociedade pode desfrutar. Pergunto: até quando? Até quando vamos deixar que as crenças religiosas de alguns interfiram na vida da sociedade em geral? É pedir demais que se amplie esse conceito de igualdade e liberdade para todos, de fato? Que se deixe de lado o “consenso geral”, o “senso comum” e os moralismos arcaicos para, enfim, termos uma sociedade mais justa e igualitária?

Só me resta fazer um apelo a todos: votem com consciência. Escolham bem os candidatos que vão nos representar no Legislativo e, agora, com o segundo turno, no Executivo. Não se deixem levar por manipulações, politicagens e boatos. Colocando crápulas no poder, só iremos perpetuar a estagnação das lutas por justiça e igualdade, afastando ainda mais a possibilidade de se construir um país e um mundo melhor.

54 respostas para Sobre a influência religiosa na sociedade e suas consequências

  1. Aline disse:

    Oi! Concordei em partes com seu texto, Ramiro. Existe uma questão que sempre vem à minha cabeça quando se fala do tema “legalização do aborto” ou coisa do tipo: se ele se torna legal, o aumento de abortos não tenderia a aumentar? Explico: uma mulher de classe média – a grande maioria brasileira – que tem medo de abortar porque sabe que 1)não tem condições de pagar uma clínica cara que faz aborto 2)ir a uma clínica “meia-boca” pra fazer esse procedimento é perigoso, cogitaria bem mais o aborto se ele fosse feito numa clínica que seu plano de saúde cobrisse. Do ponto de vista religioso, é claro que “o modo” como é feito este processo simplesmente não importa, já que matar uma vida continua sendo o grande problema – e não importa se é uma vida recém-gerada ou uma já com o sistema nervoso formado. Assim, se uma pessoa, que por acaso é religiosa, se depara com um projeto de lei a favor do aborto, não importa se feito na semana 1 ou na semana 15 de gestação, é claro que ela não pode se posicionar a favor disso, MESMO SE ELA VIVE NUM ESTADO LAICO. A questão não é se a religião se envolve na política, e sim que é impossível você conseguir separar assuntos da vida privada com a religião individual de quem vota ou de quem faz projetos de leis (ou por aí, você entende mesmo de direito do que eu!). Sei que o idealismo nesse caso é muito bem vindo – seria IDEAL viver num Estado em que ninguém envolvesse assuntos morais-religiosos em termos políticos. Mas seria correto?
    Abraço!
    Perse.

    • Ramiro Catelan disse:

      A questão não é aumentar o número de abortos, Perse, mas sim diminuir o número de MORTES provocadas por abortos, não importando se venham a aumentar os casos com a legalização. Olha, eu discordo do que tu falou. Não acho que seja *ideal*: pode muito bem ser posto em prática. Tanto que um legislador, na hora de conceber a lei, DEVERIA pensar no COLETIVO, não na religião que segue/no seu interesse pessoal, porque ele não deveria ser representante da igreja tal, mas sim DO POVO. Só que não é o que acontece, infelizmente. Agora, vamos tolher a liberdade das mulheres e a liberdade sexual por causa de dogmas religiosos? Por que fulano e sicrano acham feio, acham errado que haja casamento homossexual, que uma mulher aborte? É, no mínimo, injusto pensar assim. Egoísta, eu diria.

      • Aline disse:

        TOLHER A LIBERDADE DAS MULHERES? Pff. Concordo com muitos dos seus argumentos – como na questão “saúde pública”, mas essa de liberdade das mulheres não cola pra mim não, especialmente porque eu SOU mulher e não quero ter essa liberdade. O aborto no Brasil é permitido em alguns casos e são exatamente os casos em que eu concordo; de resto, não concordo mesmo, mas eu não sou candidata à presidência… Bem, de qualquer forma, continua a dúvida: por que um presidente deve ser neutro numa questão como essa? Porque, olha, liberalizar o aborto é ser neutro sim, e isso eu digo no caso de um candidato cristão. Quer dizer que o presidente deve ser “laico” como o Estado? Porque, saúde pública por saúde pública, existem outros meios de prevenir mortes advindas do aborto que não seja pela liberalização deste. Nesse sentido, falo desde programas de conscientização sobre o uso de anti-concepcionais até adoção. Olha, Rami, eu não sou à favor de mistureba na política não, mas como estudiosa dessa área, sei que é simplesmente impossível (me diga quando isso foi possível um dia e eu pararei aqui) esse tipo de separação religião-política acontecer. Veja bem, um presidente ateu dificilmente sucumbiria aos pedidos de um muçulmano e sua Sharia, por exemplo. Principalmente se ele tiver um grupo de pessoas dentro da política que o apoiam! Tudo bem querer que ocorra um dia um desvínculo nessa área, mas enquanto não acontece, não é melhor analisar outras possíveis soluções?

      • Ramiro Catelan disse:

        Vamos lá, Perse. Primeiro: tu já paraste pra analisar os DADOS das mulheres que morrem fazendo aborto ilegal? Te garanto que são “algumas várias” por dia. Segundo: tu não quer esse direito? Te garanto que muitas mulheres querem. Vamos prender as que fazem aborto ou vamos tratá-las, evitar que elas morram em clínicas precárias? Eu concordo que se deva investir em divulgação de métodos contraceptivos, em educação sexual… mas só isso não bastará. O acesso às informações hoje é mais amplo com o advento da internet, mas ainda temos a maioria da população que não tem acesso a ela. E não creio que esse tipo de investimento bastaria, por maior que fosse.

        Agora, quanto ao Estado laico: não é uma utopia, sinto em dizer. É perfeitamente possível. Um presidente deve governar para TODOS, e não apenas para uma parcela da população que considera aborto e união homossexual como questões de moral e religião, porque não são! E outra: como representante duma TOTALIDADE, os nossos políticos não devem se pautar por convicções pessoais; explico melhor: não devem deixar suas opiniões pessoais interferirem no DEVER. É fácil bancar a Marina Silva e dizer que faria plebiscito caso eleita. Uma coisa com a qual o Lula foi conivente, por exemplo, e eu critico muito foi aquele tratado entre o Brasil e o Vaticano: uma verdadeira afronta ao Estado laico, um absurdo. E olha que esse princípio está latente na CF – acho que deveria estar EXPLÍCITO, como afirmei no texto.

        Sobre a última questão que tu expuseste: há de convir comigo que entre o Brasil e os países muçulmanos tem MUITA diferença, não? Os princípios e leis deles, em sua maioria, estão EXPLICITAMENTE pautados no Islã; Estado e religião se misturam a todo tempo, formando muitas vezes aquilo que, tu sabes, é chamado de Estado teocrático. No Brasil nós temos influências religiosas, sim, isso é inegável – mas com limites. Não temos uma religião oficial implicita como na Argentina – “Graças a deus”, rs.

        Beijo

      • Aline Silva disse:

        Ramiro, o aborto em si é uma morte, então como estará diminuindo número de mortes? Um feto é uma vida e se essas mulheres se submetem a tais procedimentos vão concientes dos riscos e hoje em dia grandes são os números de preservativos, inclusive grátis no posto de saúde.

      • Ramiro Catelan disse:

        Oi, Aline. Isso aí depende muito do teu conceito de vida e morte, que, pelo visto, é bem diferente do meu e de quem defende a regularização do aborto. Se formos nessa lógica tua, cada ejaculação proveniente da masturbação de pré-adolescentes é uma morte, pois está jogando o sêmen – que poderia ser usado para gerar uma “vida” – fora. A questão do aborto é de saúde pública. Os abortos SÃO feitos, vão CONTINUAR sendo feitos, então devemos dar condições seguras para que TODAS possam fazer se quiserem, e não só as mulheres com condições. A questão não é ser contra ou a favor DO aborto, mas do DIREITO que a MULHER deve ter de fazer essa opção.

    • carolina disse:

      Uma pessoa religiosa pode se posicionar contra o aborto, mas não pode querer impor sua visão de mundo ao resto das pessoas que não partilharem da mesma opinião. Você acha que a vida começa a partir da concepção? Beleza. Tu sabe que tem gente que acha que a vida começa com a formação do sistema nervoso? Pois é. Tu via querer impor a tua opinião a essas pessoas, por achar que está certa? Acha válido atropelar o interesse público para atingir o seu interesse particular? Acha válido que mulheres morram para que o seu interesse particular não seja ferido?
      Obs.: nem todos concordam com decisões do governo, e isso faz parte do jogo. Religiosos precisam se acostumar com o fato de que o Estado não está somente à serviço deles, mas de todos.

  2. carolina disse:

    Perfeito o texto, Ramiro. Parabéns!
    Olha, o número de abortos em países onde este é legalizado não aumentou significativamente, o que melhorou foram as condições médicas a que as mulheres são submetidas, diminuindo as mortes maternas decorrentes de aborto, o que melhorou a qualidade de vida nesses países.
    Quem QUER abortar VAI abortar, sempre foi assim e sempre será. Enquanto os “pró-vida” defendem a vida do feto, mulheres MORREM por abortos mal feitos e os pró-vida não estão NEM AÍ. Incoerência, não é mesmo?
    O aborto não é uma decisão fácil, e não é só o medo de fazer algo ilegal que impede a mulher de abortar, tem toda uma questão psicológica em jogo. Repito, em países onde o aborto é legalizado, não houve aumento significativo de abortos realizados.
    Por qual razão se opor tão veementemente a uma alternativa que valoriza DE VERDADE a vida?

  3. Se a constituição permite liberdade religiosa, e um indivíduo tem uma religião, esse mesmo indivíduo tem todo o direito de expor suas opiniões éticas provenientes de sua religião. Além da laicidade do estado, temos a coerência ética com a religião que você assume. Se você assume um posicionamento cristão, será inevitável assumir posicionamentos éticos advindos do cristianismo. Em relação ao aborto, ao homossexualismo e a quaisquer outras questões, se levarmos a maioria da população para votar ou escolher, lembremos que lidaremos aí com posicionamentos próprios da religião que a maioria professa (no caso, uma visão judaico-cristã).

    Por isso, a ética, como sempre foi constituída por um acordo comum da maioria, deve ser levada em conta. Se o aborto for liberado, ou o casamento homossexual, lembremos que deverá ser por uma escolha da maioria, e não por uma imposição religiosa ou por uma escolha do estado. Se a maioria optou por proibir ou permitir alguma coisa, será por uma ética comum a todos. Mas se a maioria é cristã, paciência… Um dia, quando a maioria for muçulmana, você sentirá saudades de quando a hipocrisia cristã dominava nossa política.

    • Ramiro Catelan disse:

      Tem o direito, sim, de expor suas opiniões, e eu tenho o direito de achar que essas opiniões são equivocadas e deveriam ser dadas por outro parâmetro.

      Agora, me desculpa, mas não tem essa de “vontade da maioria” (qual maioria, eu pergunto?), até porque o Estado deve GARANTIR proteção, igualdade e respeito a TODOS, mesmo que uma parcela da população – que NÃO É maioria, mesmo que seja de religiões judaico-cristãs – discorde disso. Não é porque os evangélicos acham feio, errado o casamento homossexual, que isso não deva ser legalizado. Quanto ao aborto, mesmíssima coisa. Tu me disse hoje que, se a vida começa só a partir da atividade cerebral, então as bactérias não são seres vivos. Pera aí, tu já tá distorcendo, até porque eu tô falando em vida HUMANA, e temos que nos amparar em um conceito que seja CIENTÍFICO, e não religioso – e, não, esse conceito que tu disse não é biológico, é religioso. Recomendo a leitura desse texto, que considero mais forte que o meu: http://www.brasilautogestionario.org/2010/09/28/legalizar-o-aborto-pot-tulio-vianna/

      • Julião disse:

        Olá Ramiro, há alguns erros no seu argumento: por exemplo se nos baseássemos apenas no ponto de vista biológico não existiria diferença alguma no uso de cobaias humanas e cobaias animais. Devemos nos basear em conceitos científicos, claro, mas também em conceitos morais. O homem como ente biológico apenas, seria equiparável a um animal irracional qualquer, contudo, o homem também é um ente moral. De fato, seres puramente biológicos como os animais não possuem responsabilidade moral, o homem é algo mais que um ser apenas biológico. Daí os estudos de bioética, a questão sobre uso de embriões humanos em pesquisas, por exemplo, leva-se em conta ambos os pontos de vista: moral e científico. Ambos não se excluem, mas se complementam. A igreja não se baseia apenas numa visão religiosa, mas também numa visão biológica e moral. Eles falam que o embrião possui alma, mas também se baseiam em conceitos biológicos do desenvolvimento fetal e em conceitos morais de bioética. De fato, os religiosos possuem direito de expor suas opiniões e vc de discordar, inevitavelmente algum lado acabará “levando a melhor”, até agora a religião está vencendo e não me parece que isto mudará, pelo menos a médio prazo.

      • Ramiro Catelan disse:

        Me permita discordar completamente. Não entra em nada do que tu disseste a questão religiosa, moral; ao menos, não deveria entrar. Científica, sim; ética, talvez. Agora, moral, religiosa? Nem pensar! Cobaias, células-tronco, aborto, união homossexual e outros temas precisam ser tratados sem esse papo de moral, que é estritamente ligado a religião, mesmo que a pessoa não seja religiosa. As pessoas confundem muito ética e moral; são conceitos completamente diferentes. Tu mesmo exemplificaste: é bioÉTICA, não bioMORAL.

        É triste que as religiões, principalmente judaico-cristãs, ainda tenham tanta influência, o que se comprova na intromissão de moralidade em assuntos dos quais esta deveria passar longe. Alma é um conceito relativo e não-científico: quando o utilizo, é de uma forma figurada – não há conceito científico, biológico de alma. Acho muito possível que essa realidade atual se modifique. É preciso um maior rigor quanto ao princípio da laicidade do Estado, torná-lo mais rígido. Há liberdade religiosa demais, ao meu ver. Exemplo disso é a permissão de partidos políticos ligados a religiões, o que é um absurdo completo.

  4. Julião disse:

    “Quem levanta bandeira contra o aborto está ignorando – propositalmente ou não – que esta não é uma questão moral, não é uma questão de princípio, muito menos religiosa: aborto é questão de saúde pública.”

    É simultâneamente uma questão de saúde pública, moral, religiosa… uma questão complexa! Outra coisa: você esquece que problemas de saúde pública também possuem consequências morais (por exemplo, uma pessoa que morre na “fila da vergonha”; existem gravíssimas consequências morais decorrentes da omissão, dano moral no sentido jurídico mesmo, para o cidadão, consequências éticas para o médico omisso que poderá ser cassado pelo CRM, etc). É impossível separar a saúde pública de suas consequências morais para a população, de fato, o objetivo da saúde pública é justamente o bem estar da população, o que em sí já é um objetivo moral. Moral e saúde pública são indissociáveis! E saúde pública precária é imoral! Não poderia ser de outro modo, pois saúde pública trata do direito à saúde e se relaciona à própria dignidade do cidadão. A questão do aborto também se relaciona com o direito do pai de querer ter o filho (direitos reprodutivos não apenas da mulher mas também do homem), o direito do feto à vida, o direito da mãe de não querer o futuro filho… diante de todas estas questões você ainda diz que o problema não se relaciona a uma questão moral?!

    • Ramiro Catelan disse:

      Não, não, não! NÃO é uma questão moral; moral NÃO entra aí. Isso é mania de religioso fundamentalista, querer enfiar moral onde ela não foi chamada. As consequências do aborto são tudo, menos morais. As pessoas deviam deixar a moralidade de lado, sério. Moral está muito relacionada ao que os outros pensam, à visão da sociedade, uma coisa muito arcaica. Há consequências sociais, econômicas, psicológicas; agora, MORAIS?

      Eu acrescentaria ao texto, como tu falaste, a questão do pai, que não abordei. Agora, direito do feto à vida? Como citado no texto, o Código Civil de 2002 protege os direitos dos nascituros; mas isso pode ser modificado. Deve, eu diria. E, repito, não tem nada a ver com moral. Bom seria que mais religiosos se propusessem a pensar a religião de um ponto de vista mais racional, e não apenas urrar defendendo a moral.

      • Julião disse:

        Ética e moral não se confundem, mas se relacionam de forma inseparável, pois é do comportamento ético individual que surgem a moral social e os costumes. O todo é a soma de suas partes, assim, a moral é o conjunto de comportamentos éticos individuais. A moral não se refere apenas à religião, se assim fosse, então todo ateu seria o ser mais imoral e amoral do mundo… êthica é o termo grego, mores é sua tradução para o latim, daí surgiu o mito de que ética e moral suas duas coisas que não se relacionam… o ato de abortar possui consequências éticas (para os pais) e morais (para a sociedade). São duas consequências que não se excluem. Por isto eu disse, corretamente, que a política de saúde pública possui consequências morais, pois suas consequências serão para toda a sociedade. Meu objetivo não é convencer, apenas deixar registrado o pensamento antagônico, para que as pessoas reflitam profundamente, antes da opção final por uma das duas teses.
        Forte abraço.
        Julião.

      • Ramiro Catelan disse:

        Parando para ler e pensar, concordo em parte contigo, quando fala sobre a consequência moral na sociedade, mas devo acrescentar algo que omiti: quando falava da moral, era a religiosa, a que as pessoas vinculam à religião, que está parece intrínseca às religiões judaico-cristãs; espero que a moral a que tu te referias não seja a religiosa, daí convergiremos a um entendimento parecido. Agora, quanto à diferença entre ética e moral, gostei desse esquema que achei, sugiro dar uma lida: http://www.notapositiva.com/resumos/filosofia/moraletica.htm

        Abraço

  5. Pedro Ribeiro disse:

    “É claro que os religiosos têm direito a se posicionar politicamente, mas não enquanto religiosos, e sim como cidadãos”

    Ramiro, me desculpe, mas isso que você disse foi uma besteira imensa. O que é isso? O cidadão religioso deve ser bipolar, ou melhor, castrado em suas convicções mais íntimas? Só pode ser religioso em casa, na esfera pública não. NINGUÉM se comporta abstratamente como cidadão. Os eleitores se portam como pessoas. Votam de acordo com as suas conviccções. Marxistas votam em candidatos vinculados à Esquerda. Defensores dos direitos homossexuais elegem candidatos vinculados a esta causa. Abortistas idem. Ninguém nesses exemplos se comporta como “cidadãos”, mas como pessoas, de acordo com suas convicções. Pq o cristão não pode fazer isso?
    Aliás, o artigo ignora o fato histórico de que a distinção entre Estado e Igreja não nasceu em nenhum meio ateu, mas de mentes profundamente cristãs como as de John Locke e Santo Tomás de Aquino.
    O religoso não pode querer impor sua visão de mundo de maneira autoritária, mas se a maioria da população comunga de uma determinada visão religiosa é mais que lógico que ela queira que o Estado seja orientado segundo tais princípios.

    • Ramiro Catelan disse:

      O que estou dizendo, Pedro, é que, por exemplo, um parlamentar religioso serve AO POVO, não aos seus interesses particulares, a suas idiossincrasias e ideologias; se ele é pessoalmente contra a homossexualidade, não tem o direito de se opor a isso enquanto parlamentar, por uma questão ética. O que essa gente custa a entender, principalmente nessa questão, é que o meio GLS é composto de seres humanos, não “coisas”, que merecem ser felizes e serem respeitados.

      E, me desculpe, mas agora quem falou uma grande besteira foi tu mesmo, pois, como 95% dos bitolados religiosos, confunde religião com política, e uma não tem – ou NÃO DEVIA TER – absolutamente nada a ver com a outra. Não confunda ética com moral, ideologia política com ideologia religiosa. Tu cursa Filosofia e deveria saber a distinção melhor do que eu.

      Agora, tu tocou num ponto crucial: “maioria da população”. Se a população fosse inteiramente católica, eu até entenderia. Como isso é impossível de acontecer, exijo que todas as religiões, por mais contrário que eu seja a elas, tenham seu espaço, e que o Estado se paute pelo laicismo. Não se esqueça que não estamos na Argentina, onde há uma obrigação por parte do Estado em se apoiar a religião católica; aqui, temos uma maioria de cristãos, mas há judeus, umbandistas, neopagãos, agnósticos, ateus e uma série de outras crenças e descrenças. Vai dar aos cristãos privilégios por quê? Só por que são maioria?

  6. Pedro Ribeiro disse:

    Em primeiro lugar, Ramiro, não há nenhum argumento decisivo sobre o fato de homossexualidade ser natural. Portanto, o assunto ainda é uma discussão em aberto.

    Em segundo lugar, todas as religiões têm seu espaço. Ninguém é preso por ser umbandista. Eu sou católico, mas não bato em ninguém por ser evangélico. Seria preso por isso. ISSO é liberdade religiosa: cada um crer no que quiser e ter o direito de ser tolerado por isso. Ponto. O umbandista pode votar como umbandista, votar em candidatos de acordo com suas convicções e o parlamente eleito pode votar também enquanto umbandista. Eu não vejo mal nisso, assim como não vejo que cristãos façam o mesmo. Você quer definir como cada um deve votar no Congresso. Ora, se não quer o católico vote como católico não vote nele. Fim.

    Em último lugar, nosso ponto de divergência é mais profundo. Ao contrário de você, eu considero impossível estabelecer critérios éticos se uma base metafísica, sem uma visão específica de bem. Agir como “cidadão” ou como “parlamentar”, como você propõe, não é agir independentemente das visões de bem, mas agir de acordo com a sua visão de bem. É agir de acordo com seus valores. Você considera nefasto deputados votarem contra o homossexualismo por motivos religiosos por que você é a favor da naturalidade da prática homossexual. Ponto. Se a maioria do país for contra, me desculpe, mas você vai ter que aceitar. Eu votei na Marina, nem por isso disse para que as pessoas votassem como cidadãos e não enquanto eleitores que gostaram do governo Lula.

    • Ramiro Catelan disse:

      Não, não é natural. Existe na natureza, em vários animais, mas decerto é obra do diabo.

      Só um comentário sobre a última linha: não, não vou ser obrigado a aceitar, porque, como TU MESMO disse uma vez, é uma questão de direitos civis, direitos iguais a todos, independente da visão religiosa. E só não foi aprovado casamento homossexual e a lei anti-homofobia por conta de gente que pensa como tu.

      • Pedro Ribeiro disse:

        “Não, não é natural. Existe na natureza, em vários animais, mas decerto é obra do diabo.”

        Recorrência implica em naturalidade? Então certamente a crença religiosa é natural, visto que inclui a gigantesca maioria da espécie humana, hoje e ao longo do tempo.

      • Ramiro Catelan disse:

        Não, religião não é iminente ao ser humano. É algo imposto, foi criado, não nasceu com a gente. Ninguém nasce religioso, mas sim, muitas vezes, é criado num meio desses. Já nascer homossexual, hétero, bi…

  7. Pedro Ribeiro disse:

    “Vai dar aos cristãos privilégios por quê? Só por que são maioria?”

    EXATAMENTE. Pois é assim que funciona uma democracia. O modo petista de governar só permanece no poder pq a maioria da população assim deseja. Nem por isso os peessedebistas se dizem oprimidos ou tolhidos em sua liberdade. E não, isso não fere a liberdade religiosa ou a laicidade do Estado. Feriria se fosse obrigatório, se obrigatoriamente as medidas do Estado e as pessoas fosse cristãs. Visto que não é isso, visto que nada impede a livre manifestação das outras religiões, o Estado permanece laico. Ilegítima seria uma cristianização da vida pública que ocorresse de forma autoritária, obrigatória e à força. Se vem dos votos livre dos eleitores é mais que legítima. Eu mesmo acho terrível a forma como candidatos se utilizam da fé, não para se elegerem e representarem os valores do Evangelho, mas para acumular poder. Ou mesmo quando bem intecionados, aparecem nas fotos dos santinhos abraçados com o padre. Acho muito ruim. Mas procuro separar aquilo que não gosto daquilo que é intolerável. E intolerável certamente não é.

    • Ramiro Catelan disse:

      Quando tu parar de misturar religião com política feito um fundamentalista, vou agradecer. Tu fez uma lambança tremenda na primeira parte do comentário. Estado laico não é um Estado ateu, por mais que eu gostaria que fosse; deve ser arreligioso e respeitar a diversidade de religiões, por mais que eu, pessoalmente, não concorde com isso. Porque não é só minha vontade que importa, eu penso no coletivo. Agora, não é porque a maioria da população é cristã que se governará voltado para ela, o que é bem diferente de se governar voltado para os pobres, por exemplo; e não tem nada, absolutamente nada a ver a escolha da maioria numa eleição com o fato de a maioria da populaçao ser de uma determinada religião – não tem propósito essa comparação.

      Agora, o resto do teu comentário é razoável, concordo com ele.

  8. André Batista disse:

    Ramiro gostei do teu texto, teria como você me passar seu imail, para a gente interagir, pois estou pensando em fazer uma monografia cujo o tema é: A INFLUÊNCIA DA MORAL RELIGIOSA EM BAYEUX.Seria de grande serventia uma interagirmos sobre as referências a serem utilizadas no trabalho,a argumentação e etc. e parabéns pelo comentário!

    meu imail: batista3332008@hotmail.com te aguardo!

  9. Nanda disse:

    Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que Ele escolheu para Sua herança.Salmos 33:12

    A paz do Senhor a todos!!

    • Ramiro Catelan disse:

      Comentário construtivo, hein. Enfim. Atheist peace. :)

      • Gilberto disse:

        Ramiro pra vc : da onde a humanidade surgiu?vc acredita em criação e porque?

      • Oi, Gilberto. Não sei de onde a humanidade surgiu, esta é uma dúvida que sempre me perseguiu e para a qual infelizmente não tenho respostas. O que há são apenas teorias – embasadas nos mais diversos tipos de posicionamento, seja no modelo científico positivista seja em mitos religiosos. Quanto a acreditar em criação, creio que tu te referes à criação no sentido cristão, correto? Nesse caso, minha resposta é não. Sou um ateu não-positivista e que procura respeitar as pessoas de todas as religiões, apesar de não necessariamente respeitar as religiões. Logo, minhas convicções ideológicas e filosóficas acham incongruente atribuir a criação do universo a um deus que, se existe, parece não se importar muito com a condição humana. Abração

  10. Islanny Oliveira disse:

    Excelente blog… Ja esta adicionado aos favoritos.

  11. Conspirador disse:

    Temos que ter cuidado para não colocarmos tudo no mesmo balaio de gatos… Primeiro, talvez vc devesse dar uma lida em Kant, no seu ´Crítica da Razão Pura´ oq ele fala, por exemplo sobre Deus e como é impossível se dizer que Deus existe ou não existe (não sirvo para limpar os pés de Kant, portanto sugiro que vc leia sobre ele nesse ponto). E também entender o conceito de Religião. Acho que devemos respeitar as experiências intrísicas do ser humano, inclusive as experiências religiosas, suas opções e suas visões, com o cuidado de não irmos para o lado do ódio puro e simples. As religiões já fizeram muito pela humanidade, assim como já fizeram muito mal. Mas deve saber a diferença entre religião e sentimento religioso. Muitos não-religiosos fizeram muito mal também a humanidade (Stálin, por exemplo).

    Acho esse um campo bastante perigoso que acaba por solapar os sentimentos mais íntimos do ser humano. Acho legal vc exteriorizar ser ateu, como acho muito legal alguém exteriorizar ser religioso, porém assim como acho que os fanáticos religioso pecam em não respeitar o espaço do outro ao tentar ´converter´ as pessoas, muitos ateus o fazem pela mesma razão. E, na minha opinião, nenhuma dessas razões é muito humanista. Por fim, eu acho que a desconstrução de algo, por si só tem validade apenas se dela advir algo melhor a ser criado.

    No mais parabéns pelo seu blog!

  12. disse:

    Adorei o seu texto Ramiro.
    muito bom também o ‘debate’ que está ocorrendo aqui. Concordo com várias coisas que você disse e até me fez pensar melhor em outras que eu andei lendo por aqui. Espero que isso me ajude na Redação que tenho que fazer exatamente com esses temas abordados que você e todos os outros citaram.

  13. victor disse:

    ramiro….vc disse q legalizar o aborto evitaria mais mortes….mas vc esqueceu de citar sobre as doenças sexualmente transmissiveis……pois vc deve saber bem, q a importancia por parte na maioria das vezes por jovens em usar camisinha esta no fato do medo da parceira engravidar,alguns ate esquecem q fazendo sexo sem camisinha outro perigo sao as doenças transmitidas pelo sexo.portanto se o aborto é legalizado as relaçoes sexuais com o uso de camisinha diminuiram drasticamente,aumentando o numero de doentes e consequentemente aumentando o numero de mortos…
    nao sou nenhum formado em curso superior…sou um aluno de 17 anos q achei interessante o blog e achei q valia a pena ressaltar isso
    um abraço

    • Ramiro Catelan disse:

      Victor,

      A questão no aborto não é ser “contra” ou “a favor” do aborto. Nenhuma mulher QUER fazer um aborto. Mas isso se tornou uma questão de saúde pública; então por que não dar condições de fazer um abortamento decente, caso a mulher deseje, sem expo-la a tratamentos de risco em clínicas ilegais? É moralismo, ao meu ver, querer associar essa questão a dos anticoncepcionais. As mortes por DST entram em outro parâmetro, não têm necessariamente relação com os abortos. E a questão de que caso o aborto fosse legalizado o sexo sem preservativo aumentaria: isso não procede. Tu pode me conseguir um link com alguma pesquisa que relacione os dois fatos? Repito: nenhuma mulher acorda dizendo, “ah, hoje vou dar sem camisinha, daí se eu engravidar, é só abortar”. Na maioria das vezes esse é um ato traumático que deixa uma série de marcas; pra que, caso a mulher assim escolha, o aborto seja realizado, temos que criar um amparo no sistema de saúde pública, colocando à disposição da população psicólogos e outros profissionais da saúde que possam auxiliá-la… mas até lá, o caminho é longo. Muita gente, mesmo dentro da área da saúde – que é onde me insiro – ainda tem a cabeça fechada pro assunto.

      Abraço

  14. victor disse:

    claro q tem relaçao com o aborto indiretamente…..e em relaçao a pesquisa sobre a diminuiçao do uso de preservativo com o aborto liberado,nao tem pesquisa ,mas por uma questao de logica a pessoa ve q eu estou certo,,,,,vc diz q evitaria mortes de mulheres q abortam em clinicas clandestinas,mas em q pesquisa vc viu isso?vc usou a logica e nisso eu concordo com vc…..mas nao podemos esquecer das DST’s…sera q o aborto sendo liberado nao influenciaria no aumento das DST’S?

    abraço

  15. victor disse:

    nao vi nenhuma pesquisa envolvendo a populaçao em geral……e é facil apoiar a legalizaçao do aborto quando vc ja nesceu

    • Ramiro Catelan disse:

      O que é “população em geral”? Aquela maioria conservadora que se acha no direito de policiar a sexualidade alheia e o corpo das mulheres?

      Realmente. É muito fácil ser contra o racismo sendo branco. É muito fácil criticar o nazismo tendo nascido em 1990. Argumento furado, hein, amigo?

  16. victor disse:

    e a sua fonte de pesquisa é aonde?….é a pesquisa em q so os sao a favor do aborto apoiam?…..e nao me encaixo no direito de policiar a sexualidade alheia e sim de achar q o aborto traria mais maleficios do q beneficios e nao é tao simples deixar as pessoas se matarem como querem

  17. Amanda Galdinos disse:

    Texto muito completo, muito bom, está de parabéns

  18. Elson B. disse:

    Ramiro, mt bom o testo,vou usalo para um trabalho escolar… vc ja explicou sua ideia, mas nao entra na cabeça dessas pessoas, nao entra a ideia de liberdade, elas só querem defender o que suas religioes dizem, essa LEI q proibibe o aborto é uma burrice que afeta na economia do pais… enfim pessoas fies a suas religioes nunca irao intender……….
    voce ja deu seus argumentos nas 2 primeiras respostas, o resto foi só complementaçoes….. debates assim nunca acabaram bem…

  19. Bárbara Dias disse:

    adorei o texto.O aborto existe,cerca de 1 milão de mulheres abortam por ano e muitas delas morrem por fazerem isso em situações precárias.É muita hipocrisía proibi-lo,é muito egoísmo,e um desrespeito a vida da mulher.Obriga-la a criar uma ‘vida’ pela vida inteira,como se a mulher existisse apenas para a reprodução,não pensando em sua vida profissional,em sua condições financeiras para criar um filho.A mulher deve ter total liberdade para escolher o que fazer do seu corpo.Não acredito que uma mulher vá abortar só pq tem o direito de fazer isso,assim como um homem não vai casar com outro homem só pq tbm tem direito a isso.

  20. Murilo gonzaga disse:

    achei otimo..

  21. Engraçado como feministas defendem tanto seus direitos mas nao pensam no direito a vida de qualquer um, ninguem merece pagar por uma irresponsabilidade de outro, hoje em dia com tantas formas de se evitar uma gravidez ainda se ouve desculpas esfarradas por ai de mulheres que nao querem assumir suas responsabilidades. Feministas que querem tanto sua ”liberdade” porqe nao operam e entao se livrem logo do risco de uma gravidez? Enquanto mulheres sofrem pelo desejo de gerar um filho, outras tiram a vida de inocentes e ainda querem ‘liberdade’, tem a coragem de falar em liberdade se nem ao menos respeitam ao proximo. O aborto já é legalizado em casos de risco, o que mais querem entao ? bater no peito e dizer que sao livres para matar vidas? é realmente vergonhoso ate aonde o ser humano pode chegar..

    • Oi, Amanda. O que queremos é que os direitos das mulheres parem de ser tutelados pelo Estado, que é diretamente influenciado pelo lobby religioso, moralista e conservador de certas religiões cristãs. A decisão de fazer um aborto é sempre dificílima de tomar. Posso te garantir que ninguém acorda com vontade de abortar, e este ato gera grandes impactos psicológicos na mulher que resolveu levá-lo adiante. Não concordo que uma pessoa deva ser punida por um “erro”, até porque, a maioria das pessoas pró-vida se importam só com a vida do feto, e não com a da mãe, que muitas vezes se submete a situações de risco pelo fato de o aborto não ser plenamente regularizado. Isso de querer incutir culpa na mulher, fazê-la carregar um fardo quando muitas vezes não está pronta para tal, é influência direta da ideologia de pecado, remissão e arrependimento do cristianismo. A mulher deve ter o direito de regular e reger seu corpo como bem queira. Nos países em que o aborto foi permitido de uma forma adequada, os abortos DIMINUÍRAM (veja o caso de Portugal), ao contrário do mito da “explosão de abortos” caso ele seja legalizado. Como eu disse, ninguém faz aborto por prazer, é uma decisão difícil e impactante, logo, devemos, sim, estimular os métodos anticoncepcionais, mas, caso haja algum imprevisto, a mulher não pode ser obrigada a carregar um peso por um “erro”, mas sim deve ter autonomia para decidir o que fazer em relação. Caso opte pelo aborto, devemos providenciar isso. O corpo é dela. Antes de pensarmos no nascituro, devemos pensar nela, esse é o maior erro dos “contra aborto” (outro erro comum: ninguém é “a favor do aborto”, mas a favor do DIREITO ao aborto). Abração

  22. Michel F. disse:

    Fugi um pouco do assunto, mas corresponde de certa maneira. Passados anos deste post ainda temos as mesma premissas a serem revogadas. Não há qualquer posicionamento atual, no cenário brasileiro, que leve a uma mudança de paradigma, embasado numa influência que atinga diretamente os ignorantes no assunto. Esses que, além de privarem por um hedonismo mais sociável, ou em grupo, não se lançam numa busca que coloque em xeque as convicções dadas pela sua inserção na cultura. Há uma incessante busca pelo reconhecimento interno de valor como ser vivo, cegos por esse desejo ficamos quando fechamos as cortinas para a luz advinda fora da caverna. Os fatos e fenômenos nos são mastigados ou repassados as classes mais inferiores de nossa atenção, portanto esquecidos e desvalorizados, se tornam alvos do senso-comum e especulações pensantes desarticuladas de qualquer construção lógica. Temos favorecido nossa satisfação desejual em prol da busca investigativa curiosa epistemológica. Essa desavença no investimento de nossa energia nos mantém estáticos numa contradição psíquica. Ora, saudamos nossos anseios momentâneos desvirtuados pelo cego desejo mal compreendido de si mesmo, ora nos mantemos frios à emocionalidade e nos atemos na razão para solucionarmos um conflito. Me parece que essa dualidade criada pela adormecimento crítico de nossas mentes, favorecido pelas explicações simplistas das religiões e a sua influência – já que detém o poder sobre o estado e corporações – nos mantém enrijecidos, enclausurados numa percepção clara de traição de si, dada impossibilidade de ir contra o seu próprio desenvolvimento, bio, físico e cultural, dominado e completamente cercado por pessoas dogmáticas e estimuladoras do papel centrado numa vida religiosa, indigna de ser questionada, dado severas punições para tal.
    O problema a ser solucionado aqui é o investimento na laicidade das escolas em primeiro lugar, gostaria de cunhar alguns aspectos sobre isso conversando sobre o assunto em questão Ramiro. Me é frustante observar a desqualificação educacional das nossas crianças sobre os assuntos pertinentes á faixa etária do seu desenvolvimento. Seria necessário uma abordagem processual, frisada nas pautas de uma epistemologia digna de crítica. E que se leve em conta a perpetuação do processo criativo em todos os ramos, não atendo somente numa especificidade alfabética. Expo-las a situações de risco controlado, nas quais elas possam tomar a uma decisão autônoma, elevando toda a sua potencialidade frente uma sociedade que necessita e busca por pessoas que assumas riscos e tragam soluções que atinjam toda o espectro da civilização.

  23. Antonio Carlos disse:

    Tudo que vai contra as Leis de Deus e algo aterrorizante,faz mal a humanidade,e tem suas consequências.Quem tenta ser contra Deus e seus mandamentos termina se ferrando.

  24. xavanderlaus disse:

    Só vim nesse site pq minha professora mando AChei uma tremenda besteira desnecessaria poderia estar vendo coisas bem melhores meu amigo qria tar vendo porno

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: