Monólito

Um conto antigo, o qual não revisarei mais. O que está feito, está feito. Daqui em diante, buscar a evolução. Aguardem contos novos para daqui a um tempo. Estou me readaptando à faculdade, logo, pouco tempo para escrever.

MONÓLITO

Ela partiu quando menos se esperava, levada pelo vento.

Assim dizia a última frase lida por Estela antes de fechar o livro. Não teria, no momento, condições para ir adiante, tão cansada estava. O dia fora muito difícil, assim como os outros igualmente vinham sendo. Não sabia como ainda arranjava ânimo para levantar-se cedo e ir trabalhar. Talvez a necessidade de se sustentar…

(que dúvida)

Surpreendia-se com o fato de conseguir suportar tamanho sofrimento. Eles

(fizeram uma viagem só de ida)

estavam longe dela,

(para dentro da terra)

num lugar que ela não alcançaria tão cedo.

(é o que você pensa)

Seu filho e seu marido. Os dois únicos amores de sua vida.

(cof, cof)

Mortos. Pútridos. Enterrados. Culpa dela?

(sim)

Não, não precisava encarar a situação daquela maneira.

(não?)

Não tivera a intenção de prejudicá-los.

(mentira deslavada)

Mas fora melhor que partissem antes.

(jura?)

Sim!

(desgraçada)

Assim, parariam de sofrer.

(mais do que vocês os fez sofrer?)

Sim.

(cadela sem coração)

Queria calar a voz em sua cabeça, mas não via jeito de fazer isso. Tomada de uma angústia terrível,

(assassina)

desceu as escadas correndo, almejando ar fresco para arrancar aquele vazio de dentro

dela.

(junto com a vida deles)

Abriu a porta, observando o jardim florido, que ela vinha cultivando há anos. Aos pés da bela macieira, a grama já voltava a florescer no lugar onde fora cavado.

Eu fiz um favor.

(a você mesma)

Carlos estava tão abalado com a perda do emprego

(você gostou disso, não?)

e com o fato de estar velho demais para arranjar outro de mesmo nível.

(mas para trair estava novo?)

E Guilherme… o pequeno Gui… adoentado por conta daquele terrível vírus… partira o seu coração ter de fazer aquilo, mas

(será mesmo?)

não havia opções.

(não?)

Começou a caminhar pela calçada, perdendo de vista a casa, cuja porta ficara aberta.

Ela partiu…

Estela sentiu um impulso de correr, correr como nunca correra antes, e assim o fez. Continuou apressada, o suor descendo por sua testa, ignorando os olhares curiosos ao redor. A chuva veio e banhou seu corpo por completo, até as nuvens se recolherem e as gotas deixarem de tocá-la. Quando isso aconteceu, seu corpo transformou-se em pó, que foi imediatamente levado pelo vento.

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