Imensidão, ou sobre discrepâncias aleatórias e insignificantes

É com uma intensidade tão absurda, tão primária e obscura e perversa. Sem sentido. Sem nenhum sentido, aliás. Sem o menor traço de sentido. Sentido? Tal palavra, veja só, não consta em meu dicionário. Não consta “em”, que “de” é um tanto duvidoso. Ou não. Não sei o que é sentido. Importa? Talvez. Melhor deixar essa divagação lá no fundo, no recôndito de algo-que-não-consigo-nomear. Que jamais se erga, que não tenha a oportunidade de queimar ao Sol novamente.

Sol. Alguém, por favor, guarde um pouco de luz para mim – talvez haja um retorno. Porque aqui é escuro. E faz frio. E dói. Muito. Muito mesmo. É compreensível? Depende. Do quê? Importa? Não. Talvez. Ah, por favor. Vamos acabar voltando à questão do sentido, mas eu não quero voltar à questão do sentido, porque a questão do sentido machuca, e quando machuca, a dor é intensa, e fria, e escura e imprescindível ao (auto)conhecimento. Não quero conhecer. Ignorância é felicidade, não?

Quero ignorar o ignorável. Quanta pretensão. Mas há tantas coisas em vista; estou pretendendo demais? Não sei. Esse mar de (des)conhecimento, de vazio e ignorância me cerca, às vezes fica difícil… ignorar. Voltamos à ignorância? E o sentido, onde fica? Posso persistir, ou melhor, teimar em ignorar o ignorável, mas, veja, aquilo que não se pode evitar sempre acaba voltando, em doses esparsas, agônicas e belas. “Belas” não é bem a palavra, perdão. Cruéis. Sim, cruéis. As pessoas são cruéis. É natural machucar, trair e dilacerar o sentido. E desfazer esse sentido. Ah, esse sentido, maldito, que insiste em voltar. Suma.

Sumir é aceitar o vazio. Mas quem disse que é fácil? Poucos podem se apropriar dessa palavra. Fácil. Facilitar. Facilitar a facilidade. Facilidade em dificultar. Está soando muito artificial? Pomposo? Ou talvez fútil. Vazio, quem sabe. Sim, o vazio insiste em nos cercar. “Nos”? Não existe “nos”, existe o “eu”, o “aqui”, “agora” e o nada. Sem aspas. Porque o nada é essencial. E a essência…

Deus, que essência? Aliás, que “deus”? Uma dose extra de autopunição e as coisas começam a ficar mais claras. Porque no escuro é difícil distinguir a claridade. Não. No escuro, não existe claridade. É só uma ilusão. Ou desejo. Ou ambos. Importa? Sim. A importância é uma mera medida, uma idiossincrasia patética, ou não, ou sim, ou o que importa? Voltamos à importância. E ao vazio. E no vazio, é claro, tudo é escuro, e frio, e intenso, e valioso.

Valioso. Adjetivo que denota importância. Quase nada importa. De novo, dando voltas e voltas e voltas e chegando a lugar algum. Esse lugar não me pertence, e é recíproco. Também quase nada é recíproco. Deveria ser, mas já é outra questão; não queira atribuir a mim aquilo que não me cabe.

Quanto cabe dentro do vazio? Pouco. Ou muito. Tudo – ou nada. Importa? O que importa é que machuca. O quê? Tudo. Ou nada. Ou ambos. E ambos acabam desaguando naquele velho mar de escuridão, e dor, e pouco, e… insignificância. Pouco significa, pouco vem, muito vai. Estou indo, e não pretendo voltar.

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3 Responses to Imensidão, ou sobre discrepâncias aleatórias e insignificantes

  1. Alex Bastos disse:

    ótimo texto, profundo, bem escrito e se enquadra em várias situações de confronto pessoal.

  2. Armando Delminda disse:

    Meu Jovem,

    Você está sofrendo muito. Você me parece ter vindo para um mundo contrário aos seus desejos. Aqui tem Deus… Tem diabo… Tem gente boa e ruím. Aqui Tem infelicidade, Tem alegria e tristeza. Aqui tem tudo menos o que você procura.

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