A ti

Que me atormenta visceralmente; que entrou em meu cerne e lá plantou seu vírus. Bom? Ruim? Ambos, talvez. Morrer de amor é prazeroso, mas eu queria não ter de retornar das cinzas, vez após vez. A fortaleza uma hora desmorona, não? A fênix perde suas asas, seu precioso condão de ressurgir a cada ocaso. Quero um ocaso definitivo, derradeiro, mordaz e dilacerante, que me preencha e cubra e arrebente, fazendo vazar aquela essência que eu julgava perdida. Eu me perdi. Mas não serei eu a me achar. E, não se engane, não será você. Não fui feito para você. Nem para mim. Não fui feito para amar ninguém, e ninguém para me amar. Sou inquisidor de mim mesmo, e uma das maiores torturas é uma luz; sim, aquela luz que vem dos teus olhos. Eles brilham, um brilho intenso, denso, palpável, saboroso. Quero devorar tua alma. Porque teus olhos refletem tua alma; são tua alma. Posso ser teu? Esse desejo me consome e corrói meu espírito. Então lembro que, bem, sou uma miragem, e tudo se esvai.

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Uma resposta para A ti

  1. Lina Carolina disse:

    Texto profundo, coeso e altamente simbólico. Muito bom mesmo, Ramirin, queria escrever assim como tu. Eheh

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