Navalha

Sento à margem do tempo que passa e observo as águas se insurgirem contra as praias da existência. Sob a superfície espelhada, vejo o reflexo de tudo que perdi ao longo da jornada, os triunfos que abandonei no caminho rumo ao incógnito, os rios que deixei vazar da minha firmeza dilacerada. Num amálgama de descrença, esperança e impulsividade, ateio fogo a mim mesmo e me refaço das cinzas para me colocar num invólucro de anestesias extenuantes. Letárgico, mas consciente, luto contra os fins de mim mesmo, os fins em mim mesmo, e me lanço à saraivada de flechas de desafetos (in)diretos e companheirismos dúbios, incoerentes como a própria existência, congruentes e conflituosos como as divisões que me corroem… escuros como uma alma partida. Preenchidos e esvaziados. Assim como (e)s(t)ou agora.

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Uma resposta para Navalha

  1. Lina Carolina disse:

    É preciso ter força para continuar a jornada às vezes…Tudo parece estar contra, mas é preciso se superar cada vez mais ao longo das dificuldades. Continue avançando, Rami, agora e sempre o/

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