Teocracia, violência institucional e o fracasso da política tradicional

E eu que, ingênuo, achava que esse papo de teocracia no Brasil era um exagero. A cada dia que passa, uma bomba nova revelando o semblante do fundamentalismo e da influência invasiva das religiões no Estado, violando a suposta laicidade deste: mais isenções pra instituições religiosas – como sancionou agora o ilustríssimo governador do RS, Tarso Genro -; deputados forçando a barra pra dar a fundamentalistas o poder de impetrar ADINs; governo federal dando ministério a fundamentalista; bancada governista entregando CDHM da Câmara a pastor – aliado do PT, só pra que não se esqueça; e o silêncio e omissão da presidenta da República acerca da série de atrocidades praticadas contra inúmeros segmentos minoritários no País.

Aliás, omissão é uma ova: a violência é política institucional do Estado, com mandantes explícitos, que gostam de pedir voto pra todo o mundo, mas na hora de honrar compromissos, priorizam “a direita” (muito de esquerda que o PT é, rs), teocratas, bancários, empreiteiros e ruralistas. Esses são os aliados deles, é pra eles que se governa. Todo o resto – por melhores que sejam algumas ações – é engodo. Políticas públicas inclusivas, programas sociais e ações afirmativas ficam minimizadas diante de tanta sujeira levada adiante por gente que se diz “representante do povo” – piada, né? Com tanta remoção forçada e ilegal pra alocar acomodações pra Copa das Empreiteiras; com índios sendo exterminados e varridos de suas terras; com LGBTs sendo tratados como subcidadãos; com mulheres sendo vítimas de leis machistas, sexistas e patriarcais; com negros permanecendo oprimidos nas periferias; com a força repressiva estatal sendo utilizada pra reprimir “drogados” e gente que tenta subsistir diante de tanta desgraça; com tudo isso, dá pra levar o Estado a sério? É a pergunta que fica.

Quanto menos tenho algum respeito pela instituição “Estado” e por isso a que chamam “democracia”, mais acredito nas mudanças micropolíticas, cotidianas, afetivas, populares e não-partidarizadas. Porque se for esperar que “nossos representantes” façam algo… Farão o que vemos aí: escantear uns e por outros em pedestais… pedestais, aliás, bastante frágeis, pois, no jogo de duplipensar promovido pelos fanáticos governistas, ora a corja que anda sempre a seu lado é glorificada, ora demonizada, de acordo com a conveniência.

E dá-lhe luta pra consertar os estragos da política tradicional, cujos militantes – abdicando de qualquer senso de autocrítica e juízo crítico acerca da realidade – foram capturados pelo poder, gostando do sabor e se inebriando com ele, ébrios, corrompidos, domesticados, dóceis. Esse poder captura e libera; captura e libera; captura e libera. É um ciclo vicioso, sedutor, quase irresistível. Ciclos são difíceis de destruir. Mas não impossíveis!

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