20 de setembro e a farsa do Movimento Tradicionalista Gaúcho 

20 de setembro tá aí, e a gente, mais uma vez, precisa sentar e conversar. Costumo patinar no Gasômetro, em Porto Alegre, todo fim de semana. Tenho evitado ir durante este mês, pois quando o fiz, recebi olhares fulminantes e ameaçadores com os quais não estou acostumado naquele espaço, porque sou gay e não sou obrigado a andar dentro dos padrões que me impõe. Devo essa sensação de medo e insegurança em volta do acampamento farroupilha ao Movimento Tradicionalista Gaúcho. 

Essa organização é um grande engodo sustentado num mito fundacionista frágil conceitual, histórica e epistemologicamente, calcado em figuras de autoridade mais frágeis ainda, o chamado Grupo dos 8. A maioria dos seguidores sequer tem noções básicas sobre a cultura fantasiosa, inventada e distorcida que defendem com unhas e dentes, e se recusam terminantemente a discutir sobre, como se fossem parte de uma seita religiosa, e isso é responsabilidade de uma política pública de educação que se recusa a pautar o estudo científico da história, baseado não no mito, mas nas evidências e na crítica. 

Cultuam uma revolta perdida, capitaneada por estancieiros senhores de escravos cujos únicos interesses eram a manutenção dos próprios privilégios. Essa “revolução”, cujo objetivo, curiosamente, era preservar o status quo, derramou sangue de gente pobre e negra, mas muitos seguem reproduzindo histórias fragmentadas e distorcidas como se fossem verdades incontestáveis. 

Perpetuam um discurso machista, sexista, homofóbico, intolerante, bairrista, belicista. Muitos – não todos os – apoiadores do movimento são embaixadores do moralismo, do conservadorismo, do racismo, do patriarcado, da submissão feminina, do desrespeito à diferença, do ódio a gays, lésbicas, a quem ousa divergir da heteronormatividade. Sequer conseguem lidar com divergências dentro do próprio movimento: expulsam, segregam, caluniam, perseguem e incendeiam. 

Fazem cosplay de Paixão Côrtes durante todo mês de setembro, sem pensar sobre a violência simbólica que carregam essas vestimentas. Vamos parar e repensar as coisas como elas estão – não como elas são – ou seguir festejando distorções históricas e mentiras nas quais nos fizeram acreditar?

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