[Resenha] Eclipse ao pôr do sol

segunda-feira, 4 outubro, 2010

Mais um ótimo lançamento da Draco

Em meio ao mar de obras rasas, mal escritas, sem revisão e de critérios editoriais duvidosos que inunda a praia do fandom brasileiro de literatura fantástica, é difícil encontrar uma digna de nota, que esteja realmente acima da média. Difícil, mas não impossível, como prova este Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos, do jornalista e editor da CartaCapital Antonio Luiz M. C. Costa, lançado em meados de agosto pela editora Draco.

O que se vê aqui são seis contos escritos com esmero; a linguagem utilizada é um tanto requintada, muitas vezes exigindo uma consulta ao dicionário, já que procura se encaixar ao contexto da época em que cada história se passa, seja o Brasil do final do século XIX, seja a Grécia Antiga. Apesar do rigor formal, os contos se mostram mais do que cativantes. Exemplos claros disso são o primeiro conto, A Nascente da Serra, e sua continuação, O Cio da Terra. Ambos se passam em Portugal – o primeiro, na época das navegações, e o segundo, no século XXI – e apresentam a carismática ninfa Pirene, cuja formosura radiante faz com que os homens que a vejam se apaixonem perdidamente.

É nítida a rica pesquisa feita para a composição dos enredos, o que os torna bastante verossímeis. Há também certa quantidade de referências, que vão de Machado de Assis a Luís de Camões, passando por Florbela Espanca e Homero. Outro ponto de destaque é o tom irônico, quiçá ácido de alguns dos textos, vide o que dá título à coletânea, onde é narrado o roubo da Efígie de Zeus e as consequências de tal ato. Talvez seja o conto com a linguagem mais empolada, mas isso não quebra o ritmo da leitura, que se torna extremamente envolvente após o início.

O conto mais fraco é Louco por um Feitiço, que não chega a cativar, apesar de bem escrito. Talvez tenha faltado espaço para desenvolver melhor os personagens, que soam insípidos. Para compensar, temos o curto, mas eficiente Papai Noel Volta para Casa, que tem um desfecho interessante, e O Anhanga, que, a meu ver, é o grande destaque do livro. Trata de um advogado que, ao fincar laços mais profundos com uma prostituta, vê-a ser perseguida por uma entidade misteriosa. Emulando a linguagem da época – que, aliás, lembra muito Machado de Assis -, é um conto tenso, que prende a atenção até o final.

Há alguns pequenos deslizes na revisão, mas nada que comprometa a qualidade geral da obra, que está anos-luz à frente da maioria das publicações do gênero no Brasil.

Ao término da leitura, tem-se a sensação de que o dinheiro gasto valeu a pena: Eclipse ao pôr do sol é uma ótima coletânea, coesa e muito bem escrita. Fica a dica para os fãs de literatura fantástica – não aquela repleta de lugares-comuns, mas sim uma que transcende, que procura apresentar uma perspectiva nova e mais ousada.


Atualizações (II)

sexta-feira, 23 outubro, 2009

Outra semana corrida está terminando, e os meus sumiços do blog são cada vez mais freqüentes. My fault, eu sei, mas é que, apesar de as idéias pulularem na minha cabeça, acabo não tendo disciplina para sentar a bunda na cadeira e tentar produzir textos novos. É, deve fazer mais de dois meses que não concluo um conto, artigo ou sequer um poeminha. Não gosto de ficar escrevendo qualquer bobagem aqui; logo, é de se esperar que eu tenha algo interessante para falar nas postagens, o que ultimamente não vem ocorrendo.

Venho atravessando uma fase meio… complicada. Estou meio distante do mundo e, de certa forma, de mim mesmo. Perdi o gás e o interesse para acompanhar a faculdade com o vigor do início, mal tenho conseguido escrever (como falei antes) e meu ritmo de leitura está mais fraco do que nunca, pois só consegui ler um livro não-acadêmico em outubro. Acho importante sempre ler coisas de fora da faculdade, mas mesmo a essas tenho dedicado pouco tempo.

Entretanto, c0ntinuo na luta. Já atravessei fases bem piores; acho, também, que aprendi algumas lições importantes com as minhas recaídas, de modo a poder enfrentar futuros problemas com mais serenidade e maturidade. Agora que a semana de provas passou, fico mais tranqüilo. Me vieram à cabeça alguns esboços de personagens para contos novos, lançando um jato de empolgação do qual eu estava precisando.

Falando em literatura, recentemente foi postado na comunidade Escritores de Fantasia no Orkut um link para uma ferramenta essencial àqueles que desejam criar mundos de fantasia, o Fantasy Worldbuilding Questions. O questionário – enorme, diga-se de passagem – permite ao autor modelar com precisão e detalhes seus cenários fictícios, abrangendo não só história, geografia, religião e política, mas também detalhes que muitos deixam de lado na hora de criar universos, como a vida cotidiana e hábitos dos diversos setores da sociedade, por exemplo. Uma ferramenta primorosa, que me surgiu em boa hora!

Bem, de uma divagação, este post acabou chegando a uma dica para criação de histórias, haha. Por enquanto, é isso. Vou tentar não perder o pique e manter o blog atualizado.

Até mais!