Inexorável

domingo, 22 janeiro, 2012

Tal vez consumirá la luz de enero,

su rayo cruel, mi corazón entero,

robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero

y moriré de amor porque te quiero,

porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

Pablo Neruda, Cien Sonetos de Amor.

Para o meu amor, que me completa e me enche de felicidade.

Fagulha lançada ao acaso: assim se acendeu meu fogo por ti. A chama principiou tênue, discreta, suave, para logo se fazer intensa, lacerante, pulsátil. Tua chama incendiou meu ser numa hora funesta, preenchendo o vazio com plenitude, afastando as trevas com uma luz cálida e devolvendo esperança a um corpo que desconhecia o significado do viver. Viver de modo contumaz, arriscado e limítrofe, mas satisfeito, honesto, verdadeiro e livre.

Tua alma inspira liberdade. Sinto e absorvo teu amor livremente, teu perfume me inebriando com doçura e tranquilidade. Teu toque me libertou. Liberdade é poder se entregar sem receio, compartilhar com o coração aberto, amar e deixar-se amar com júbilo e agrado. Me entrego aos teus braços, sereno e confiante. Confio nos teus olhos belos, brilhantes, que me observam com ternura e suavidade; me deleito com tuas carícias, que me fazem ir às alturas para então pousar no teu colo, onde sei que estarei seguro. Porque és meu porto seguro; teu amor impregna minha vida com sentimentos inefáveis, que não ouso nomear, eu que sempre nomeio tudo para sentir que a tudo domino. E de dominador, passei a dominado: meu coração é teu, a ti pertence e a ti o entreguei para que nele deposites teus mais verdadeiros sentimentos.

As páginas da minha vida, antes vazias, tu preencheste com palavras ternas de confiança, formando frases que contam uma história incipiente, mas com um valor imensurável: tu vales o mundo, e por ti eu suportaria as mais terríveis aflições, carregaria os fardos mais pesados e travaria as guerras mais sangrentas. Prezo teu bem e tua paz: como deitar-me tranquilo sem ter certeza do teu conforto?

Tu mitigas meus tormentos, aplaca minhas fúrias e doma minhas tristezas com um jeito simples e natural, com uma graça própria de anjo, o arcanjo que zela pela minha felicidade. Tens o dom de dizer o certo no momento certo, sem me irritar ou ferir, e fazes isso como se tivesses recebido instruções sobre como ser a pessoa perfeita para completar minha vida. Porque me completas e fazes meu peito explodir de alegria, pois te ter ao meu lado é o maior de todos os presentes que me poderiam ser ofertados. A ti, oferto meu amor e meus mais sinceros e afáveis desejos.

Quero ser para ti tudo que representas para mim: o ombro amigo, o ouvido atento e a boca que profere palavras de sabedoria; a vela no escuro, a água no oásis e o sol após a tempestade. Tu és alento para os momentos mais intricados, bálsamo para as feridas mais dolorosas, o vento que alivia o calor das adversidades, o mapa para a cidade desconhecida que é a vida. Minha vida faz sentido contigo. És o sentido dela.

És o poema mais lindo de todos: está escrito nos teus olhos, cada linha repleta de afeição e brandura, formando lindos versos sobre a história mais extraordinária já contada. Não há versos para expressar o que sinto por ti. Teu cheiro é pura poesia, e eu preciso de versos para respirar. E eu repito e me repito, mas não deixo de te amar. Te amar é um ciclo inacabável, cada dia uma reaproximação, uma nova descoberta, uma surpresa agradável, uma vertente de quentura que me conforta, me protege e me resguarda de qualquer mal. Não há mal na tua presença, pois tua luz repele o que de sombrio houver por perto. Mesmo a distância cruel não afasta teus raios de sol do meu rosto: basta respirar e te sinto, teu perfume alastrando alegria e alívio em meu coração. Aquilo que me toca em meu mais profundo recôndito é o que significas para mim, em mim, por mim: tudo.

E tento expressar tudo que sinto por ti, embora seja um trabalho ao mesmo tempo fácil e árduo, pois tuas qualidades esmeram teu ser e te enchem com um brilho especial; contudo, jamais chegaria aos pés de tanta beleza e encanto reunidas num só ser. Falar bem de ti é redundância, pois só o que passas é o bem, só o que fazes é o bem, e como é bom te ter na minha vida. És a pessoa mais linda que já conheci, teu corpo é minha fonte mais aprazível de êxtase e teu sorriso me desmonta e me encaixa novamente, me desarma e me contagia com uma energia indescritível. És bem mais do que acreditas ser. És um fluxo de harmonia se espalhando ao redor de mim, um âmago de infinitos prazeres, um altar perene de veneração ao mais puro e verdadeiro amor. Meu amor por ti é o mais puro e verdadeiro possível. És bem mais do que acreditas ser. És tudo e mais um pouco.

A fagulha lançada ao acaso tornou-se uma chama; a chama se alastrou e causou um incêndio. Teu amor incendiou minha alma e colocou meu mundo em chamas. Mas, te garanto, são as chamas mais agradáveis em que já me lancei. Porque não me queimam, mas curam, abrandam e iluminam. Tu iluminas meu ser. A fagulha lançada ao acaso tornou-se uma chama. Que essa chama resplandeça até o infinito. Meu amor por ti é infinito. Infinito como o brilho que vaza dos meus olhos ao te ver. Infinito como o universo de possibilidades que se abriram ao entrares na minha vida. Essa palavra, vida, tem, para mim, um novo significado. Vida, agora, significa um anjo ao meu lado. Vida, agora, significa um rumo a percorrer, um caminho certo a seguir, uma pessoa especial para andar ao meu lado. Vida, agora, não existe sem ti, pois tu és parte intrínseca dela, já que não existo sem ti, e teu amor, para mim, é mais do que tudo. Teu amor, para mim, é simplesmente isso. Vida.

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Sobre sonhos, promessas quebradas e cacos de vidro

quinta-feira, 20 outubro, 2011

Vivíamos um sonho irrealizável. Um delírio borbulhando em cascatas de uma afabilidade terna e quase estridente. Você partiu, eu me fui. Você se foi, eu me parti. Um jeito aprazível de sangrar. Vertentes escarlates de você. Um corte que não cicatriza e que vaza em torrentes. Cascatas de uma ferida pungente, mas suave. Sua lembrança é suave. Apesar da dor. Apesar do sonho fragmentado. Ilusões frágeis como vidro.

O vidro que reflete o interior. Vazio? Um imenso vazio preenchido por si mesmo. Memória inefável, sombra do que não foi, poderia ter sido, mas logo se esqueceu. Você se esqueceu. Esquecemos. Esqueçamos. Já não importa muito. Apesar do relativismo do importar. Apesar do sonho arrasado, mas almejado. Vidro partido, coração ferido. Cacos de uma alma dilacerada.

Coração em frangalhos por crer em promessas feitas com uma mão na água e um pé no fogo. A chama que não tardou a nos consumir. Incendiar às vezes é melhor do que confrontar. Ilusões não são assim tão fáceis de desfazer. Melhor esquecer? Eu me esqueci. Esquecemos. Esqueçamos. Me esqueça. Me faça esquecer e juntar os cacos para recompor o fantoche vítreo.

Vivíamos um sonho denso, cintilante, feérico. Efêmero, débil, demasiado. Ilusório. Esplêndido, mas cruel. Crueldade sem beleza. Aquela beleza das flores coloridas e perfumadas. Um sonho mais como um jardim cinzento e frio. Como a vida. Como o mundo. O nosso mundo criado pela minha esperança. Promessa feita com uma mão na mente e os dois pés no coração.

Falar de corações é como um dia de chuva. A indiferença caindo em gotas parcas para logo tornar-se uma tempestade de mágoas. Enxurrada de emoções distorcidas, um céu coberto por angústia; a angústia luta para dissipar as nuvens apáticas e trazer a luz. Mas a luz vem apenas para ofuscar o sonho. Sonho perdido na névoa que se afasta para trazer o conforto dos iludidos. Insolação de empáfia.

Falar de corações é como vagar. Cruzar os vales sombrios com a indissolúvel esperança do fulgurar de um horizonte. Um horizonte que agora parece tão distante. Distante como a sua memória. Aos poucos ela se esvai. Não quero perdê-la, mas o fluxo é irrefreável: cascatas de um amor desesperado que vaza dos meus pulsos para seu coração. Falar de corações é como planger pelo inevitável: o amor rejeitado espalhando-se pelo chão, sem vasilhas para recolhê-lo ou bálsamos para amenizar a ferida inestancável.

Vivíamos um sonho. Um sonho que, de reluzente e caloroso, transformou-se em obnubilado e gélido. Um sonho que, de equânime e fraterno, passou a unilateral e aversivo. Um sonho feito de cacos de uma confiança destroçada. Os destroços aqui, digladiando por ar. Ar cada vez mais escasso. Essa é a essência dos sonhos: a escassez do sentir. E agora só o que sinto é aquela cascata de uma deslealdade perversa e quase sufocante. Nós nos fomos, eu me parti. Em mil pedaços. Um jeito sublime de sangrar. Vertentes escarlates de mim. Um corte que não cicatriza e que vaza em torrentes. Cascatas de uma dor impassível, mas necessária. Sua lembrança é necessária para viver. Apesar do flagelo que é lembrar seu toque. Apesar do sonho cálido, que em breve será enterrado. Ilusões frágeis do desejo.