Balada do coração agonizante

quinta-feira, 8 dezembro, 2011

The apple never asks the beech how he shall grow,

nor the lion, the horse, how he shall take his prey.

The thankful receiver bears a plentiful harvest.

If others had not been foolish, we should be so.

The soul of sweet delight can never be defil’d.

William Blake, Proverbs of Hell.

Me rasgo em pedaços de pano puído, despejando uma angústia de mil faces que teimam em se desencontrar. Fechei o círculo, mas outro se abriu: para quê? As infindas voltas que damos nos levam sempre ao mesmo ponto. Por que partimos, então? A estrada que leva a lugar nenhum é cingida por fios de arrogância, aquela que vomitamos sem ao menos nos darmos conta. Mas estava falando de mim. Dos meus pedaços rasgados em pano puído; a angústia a que me referi é minha, mas os desencontros são nossos. Como falar de mim sem ti? Como me encontrar em meio ao turbilhão de intempestivos rompimentos? Vaticinado está nosso destino no momento em que costuramos nossas mãos em uma aliança débil, fragilizada por uma esperança que seria vã caso fosse verdadeira, e acaba apenas vazia. Um vazio do tamanho do meu coração. Ou infinito.

O sopro da manhã tenta afastar a dor da inanidade. Porque tudo o que eu almejava era um toque do tudo – o teu toque. E por desejar isso, acabei tendo apenas nada. O nada é pleno em sua essência, porque nos move e tange e permeia o fracasso da nossa esperança: não esquece que nem vã ela chega a ser. Vão é o esforço para achar o norte nessa vereda lúgubre. A luz que uma vez cegou nossos olhos é água no oásis: ilusão. Nossa estrada é uma sacola de ilusões, brilhantes como a estrela que mora em teus olhos. Doce gigante vermelha fadada ao amargo do apagar.

Me rasgo em pedaços de pano puído, esfregando, com os retalhos da minha alma partida, o sangue que derramamos ao digladiar por um pouco de ar fresco nessa terra de desolação. Um cenário de desespero pontilhado de luzinhas quase desvanecidas – ocas; toque-toque, aqui dentro mora o vazio. Sobre isso entendemos: o vazio é o berço do inconsolável. Minha agonia é inconsolável, pois parti para não voltar: sem ti, a seara é íngreme, o vinho, azedo, e o mel, amargo. Amargo como uma alma solitária. Doce esperança afogada em desilusão.

Em delírios de prazer e dor, escrevi o livro da minha mágoa: mil páginas de um vácuo sempiterno, letra apagada, poesia esmorecida na fria vertente do nosso descompasso. Um passo pra cá, três pra lá. Assim é a nossa valsa: vou ficando cada vez mais próximo e tu, distante. Disseram que a distância nos salvaria, mas ela desatou o frágil laço que contornava nossos corações: respira! liberdade! A distância liberta. A distância nos libertou. A distância te libertou duma gaiola expiatória. A distância me aprisionou numa fortaleza de aflição.

Me rasgo em pedaços de pano puído, tentando, em seguida, remendar o que restou de mim, ou de nós, já que não existe “mim” sem “ti”. Meu tecido gasto ao travar contato com o teu, ainda que sejam o mesmo. Meu corpo seviciado ao entrar em choque com o teu, cada toque um suspiro, cada suspiro, uma sinfonia de insensatez: te quero! Embora me machuques, te quero. Embora tua voz me roube o equilíbrio, te quero. Embora teu beijo me consuma, te quero. E te querer é um passo em direção ao abismo, o prenúncio da perdição.

Me perco na calada da noite, ruminando tuas palavras insípidas, relembrando teu cheiro sufocante, sentindo tua presença em cada esquina: onde estás? Onde poderias estar senão aqui dentro? Aonde poderias ir senão em minha direção? Espera: já não estavas aqui, dentro desse coração que palpita na esperança de te ver mais uma vez? Ouro dos tolos: contempla o buraco em teu peito, sonhador. Nele, cabe uma plenitude de sonhos. Sonhos em que fulguras, livre, mas intangível, distante. Sonhos são tão distantes da realidade. Eis o real: eu, aqui, vacilante, e tu, por aí, a vagar. Por onde? Não sei. Só sei saber de ti, e tu ressonas no tudo que há dentro do vazio. O vazio que habita meu coração sem tua presença. Quão tolo é aquele que ousa sonhar com o inalcançável. O fio que liga tua boca à minha se rompeu; o abismo que paira entre minha mão e teu corpo se amplifica a cada devaneio abandonado. É devaneio querer te encontrar, pois perdido estou. Ao meu redor, o pleno: vazio. Um vazio do tamanho do meu coração. Ou infinito.

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Afótico

sábado, 3 setembro, 2011

“He venido encendida al desierto pa’ quemar

Porque el alma prende fuego cuando deja de amar”

Lhasa de Sela – El Desierto

Era como pairar. Uma suavidade enganosa que, de tão intensa, se fez dolorosa. As delícias e perigos da abnegação. Abdico às correntes e cruzo o limiar, mas permaneço sobre ele. Isso é pairar: estagnação. É a falácia do movimento suave, que leva a uma viagem sem rumo, sem fim. Eu parto, mas permaneço aqui. Distante de tudo, inclusive de mim.

Alguém certa vez me disse que a distância mata. Pois eu digo que a distância nos salvará. Salve-se quem puder, mas, por favor, não nos esqueçamos de despojar e, então, aniquilar as sobras. Até não restarem vestígios do indizível.

Anseio por dizer o indizível. Expressar a vibração primitiva sem que as marionetes de cristal se estilhacem em mil pedaços. Mil pedaços para mil anjos caídos, sedentos por mais. Mais jeitos de aprimorar o engano, de tentar juntar os cacos para reparar o que foi danificado. Quero reparar o irreparável. Isso é dizer o indizível: tornar impossível o possível – e não é possível partir.

Vem estagnar comigo. Percorrer as distâncias inalcançáveis, sonhar com o que não se pode ter, ousar lutar pelo que jamais seremos. Algo inominável nos impele ao impossível: mesmo conhecendo o fim da estrada, não deixamos de insistir, persistir em querer. Querer poder mais. As delícias e perigos da frustração.

Vem quebrar comigo, feito aquelas mil marionetes, frágeis e surrados brinquedos espalhados pelo playground da vida. Como duas crianças, vamos brincar. O passatempo pueril logo se transformará num jogo feroz de morte ou uma morte pior ainda. A vida não deveria ser um jogo – há jeito de torná-la mais do que um mero teatro da morte?

Vem pairar comigo. Nós dois, mergulhados no mar da solidão. Nada é mais doce do que a distância intangível. Solidão a dois é mais poética. Teu cheiro é pura poesia, e eu preciso de versos para respirar.

Vem não apenas mergulhar: afoga-te, entrega-te, abjura-te. Afunda em mim e descobre a pérola que se esconde por trás da tua pálida carne. Eu sou a ostra: atira-te, concede-te o luxo de ser engolida e sufocada, e eu te moldarei ao meu, ao nosso prazer. Porque perder-se é aprazível. Perde-te em mim, num lento e aconchegante golpe de misericórdia. Larga a coroa de espinhos e dá-me tua mão: eu sou a verdade, o caminho, a mentira e a contradição.

Mas não me contradigo ao afirmar que, sim, a suavidade causa dor. A dor mais intensa que se pode provar. Indelével, inexorável, irrepreensível. A cortina do suave logo se rasga e revela a aspereza, pronta para nos retalhar em mil pedaços. Aqueles mil pedaços para mil anjos caídos, lembra? Mil anjos escondidos no espelho. O espelho reflete teu rosto, gravura lapidada na pedra do paraíso: selvagem, ofuscante e irredutível. Ao teu redor, imagens de uma vida que não existiu. Era doce. Era suave. Era plena. Era como pairar.


A fabulosa hecatombe existencial

quarta-feira, 31 agosto, 2011

“In that final look, does the deer forgive the wolf?”

Otep – Head of Medusa

A corda se rompeu. O laço que nos unia era frágil e previsivelmente esmoreceu; o tempo desgasta tudo, não? Tudo, exceto o ódio que nos avilta, essa centelha fraternal que ainda nos une. Nós, os pretensos intocáveis. Nós, os protótipos frustrados de um martírio sem fundamento; almejávamos ser a palmatória do mundo e colhemos um fruto amargo chamado decepção. Decepção mata, mas a morte nos é íntima; seu perfume podemos distinguir à distância e seu sabor mora em nossas línguas. Línguas bífidas, venenosas – a cobra em mim pronta para te abater e então ser devorada pelos resquícios do que sobrou de ti.

A bem da verdade, não sobrou muita coisa. Talvez um vazio inconstante, incôngruo e amotinador: preenche-me! dá-me um alento, nem que seja um fiapo de luz! Preciso de luz para mascarar a verdade, ocultar a sombra e a incerteza; ou seria para expor? Me expor. Nos expusemos demais. E a corda acabou se rompendo. Ou seria mais oportuno dizer “foi rompida”? Tua lâmina é cega, mas meu âmago é porcelana negra, fácil de romper. Rompemos a corda, o laço e as sensações que de tão ah, meu amor, te quero pra sempre, acabaram se encaixando na definição do nosso caminho: efêmero. Porque tudo é efêmero, só depende do ponto de vista. E meus olhos estão nublados de cegueira.

A dissonância nos afastou. E me afastou. De ti, de mim mesmo, do mundo. A total dissonância entre ser, sentir e (fingir) viver lançou manchas negras no lindo quadro da existência. Conta-me sobre tua existência, teus sonhos e delírios, que aqui, do alto do meu trono de éter, tenho condições de julgar, troçar e destroçar teus relatos de um nível muito superior ao qual estávamos atrelados anteriormente. Níveis desiguais, desejos desiguais, seres desiguais. Somos desiguais. Todos caminhando numa direção. O penhasco ao fim da fabulosa trilha existencial leva até aqui. Cá estou, com meu cetro e coroa invisíveis, pronto a bramir ordens que só serão ouvidas por mim e meu exército de fantasmas rancorosos. Te ordeno: ajoelha, sacia meu desejo. Qual o teu desejo, meu senhor? Tu. Mas senhor, estás falando contigo mesmo. Teu desejo é…

Redesenhar o quadro. Livrá-lo de toda e qualquer mácula. Mas caminhos imaculados são ilusões. As manchas insistem em nos perseguir, cada passo deixando um rastro maior que o outro. Um rastro denso, cheio de raiva, ira e ambição. Diz-me o que tu almejas e te darei. Mas, por favor, não pede que eu me entregue. Já fui consumido pelas agruras desse percalço agre. De mim, só posso doar uma flama tênue e singela. A ti. A mim mesmo. Que o fogo das portas que incendiarei ilumine meu caminho.


Incongruências, ou sobre a promessa da solidão

domingo, 6 março, 2011

We are all alone, and I will tell you of loneliness.

Otep – House of Secrets

Estamos sozinhos, e eu vou te falar sobre a solidão. Comecemos devagar, de modo suave, que é pra melhor apreciar a dor. A dor a gente curte assim, nunca te falaram? Pois é. Curtir a dor. Tem que ser desse jeito, senão perde a graça. Primeiro você se liberta das amarras, depois se atrela novamente a elas e, pá, cá estamos. Eu, você. Estamos sozinhos. Totalmente sozinhos. E eu vou te falar sobre a solidão. E a solidão não é algo, assim, fácil de compreender. Mas é fácil senti-la; nada de esforços hercúleos: eu estou aqui, você está aí, ou aqui – não sei bem.

Muito do que falo pra você, na verdade, é pra mim. Mas isso não significa que não seja também para você. Se não fosse para você, eu não falaria, não é lógico? Ah, esqueci, você não é dada a tais sutilezas. Gosta mesmo é dos impulsos, do se-deixar-levar-pela-emoção. Quando a gente inventa de cair nesse fluxo visceral do sentir e sentir-muito e sentir-muito-o-que-não-deve, a coisa complica. E aí vem aquela aguilhoada, e a sensação de vazio – sabe quando a gente se sente um lixo? Somos, eu e você, lixo, um belo lixo; e lixo é pra ser jogado fora. Não?

Eu vou te sufocar com culpa, esse ardil poderoso, esse instrumento de controle, ah, como eu amo o controle – e como eu te amo. Quero te controlar, então passo o peso do mundo pra suas costas, que nas minhas não dá mais. Boa sorte. Aliás, você sabe o que é sorte? Sorte é estar vivo, depois de tanto, depois de tudo; esse tudo acaba virando nada, não é triste? É e não é. Sabe? Não? Nem eu. Não sei muitas coisas. E o pouco que sei acabo esquecendo, logo, não sei. Isso sim é triste, imensamente triste, essa tristeza imensurável, eu…

Não importa. Não importamos, na verdade. Eu e você. Nós. A sós. Estamos sozinhos, lembra? E eu prometi que ia te falar sobre a solidão. Aqui está ela. Não está vendo? Perdão. Você está cega, como pude esquecer? Sou um insensível, você já me disse muitas vezes. A minha insensibilidade me choca, às vezes. Quase não consigo mais te ver. Quem está cego, mesmo? Você? Eu? Nós.

Certa vez você disse que me amava. Mas eu achava, veja bem, que ações falam mais alto que palavras. Então não venha dizer que me ama. As palavras entram nos meus ouvidos como um ruído distante, numa língua incompreensível: a língua do vazio. É, aquele vazio que bem conhecemos. Nos tornamos alquebrados, mirrados, privados de tudo que um dia poderia ser, mas não foi, não será e, bem, eu não quero que seja, não queria que fosse e isso tudo não importa mais; importou algum dia? Nós não importamos, lembra?

Sinto um cheiro de morte por aí. É um perfume, na verdade; doux arôme de mort. Começa devagar, de modo suave, que é pra melhor apreciar a dor. Esse perfume é doloroso, mas eu gosto; a suavidade me encanta – a dele, a sua, a minha, a nossa; mas nós não somos, que falta de tato, a minha. Eu queria te deixar uma marca. Já te falei sobre isso, acho. Uma profunda, impactante e indelével, daquelas que a gente não esquece jamais, nem que queira. Tudo impiedosamente cruel; tudo marcado com dor.

Agora vamos falar da marca que você deixou. Já te falei sobre a solidão: a solidão é isso, esse amálgama de horror, prazer, esplendor e irreverência. Eu te reverenciei e assim me perdi. Se bem que eu já estava perdido; é só uma questão de ponto de vista. Voltemos à marca. Sim. Infelizmente, não saí incólume. Você sabe disso. A marca que você deixou é profunda e intensa e dói, e eu quero sumir. Você me faz querer isso. Posso te pedir algo? Me devolva. Sim, devolva o meu eu a mim mesmo. E eu prometo que devolvo toda a amargura e desgosto que incorporei de ti. A tua marca. Tuas marcas. Essas pequenas mortes, pecadilhos pueris, que vão ficar pra sempre gravadas na minha pele.

Me chama de volta, com aquela mesma voz que eu tanto apreciei. E ainda aprecio. Porque você é a minha maior tortura, minha dose de prazerosa agonia; te bebo toda e não fico saciado – posso ter mais? Ambos sabemos que não. Solidão, lembra? Eu aqui, você aí, ou aqui, ou assim eu queria. Mas querer não é poder. Estamos sozinhos. Totalmente sozinhos. E eu vou te falar sobre remorso, sofrimento e uma saudade que não cabe em mim. Mas disso você bem sabe. Você é a rainha da inocuidade. Me trucida por dentro, mas no fundo eu anseio por isso. No fundo ainda existe um nós. Eu aqui, você aí. Nós, separados. Nós, distantes. Nós, rios que se cruzam, mas que desembocam em mares diferentes. Cumpro minhas promessas. Eis-me; eis o vazio; eis a solidão.


Imensidão, ou sobre discrepâncias aleatórias e insignificantes

terça-feira, 4 janeiro, 2011

É com uma intensidade tão absurda, tão primária e obscura e perversa. Sem sentido. Sem nenhum sentido, aliás. Sem o menor traço de sentido. Sentido? Tal palavra, veja só, não consta em meu dicionário. Não consta “em”, que “de” é um tanto duvidoso. Ou não. Não sei o que é sentido. Importa? Talvez. Melhor deixar essa divagação lá no fundo, no recôndito de algo-que-não-consigo-nomear. Que jamais se erga, que não tenha a oportunidade de queimar ao Sol novamente.

Sol. Alguém, por favor, guarde um pouco de luz para mim – talvez haja um retorno. Porque aqui é escuro. E faz frio. E dói. Muito. Muito mesmo. É compreensível? Depende. Do quê? Importa? Não. Talvez. Ah, por favor. Vamos acabar voltando à questão do sentido, mas eu não quero voltar à questão do sentido, porque a questão do sentido machuca, e quando machuca, a dor é intensa, e fria, e escura e imprescindível ao (auto)conhecimento. Não quero conhecer. Ignorância é felicidade, não?

Quero ignorar o ignorável. Quanta pretensão. Mas há tantas coisas em vista; estou pretendendo demais? Não sei. Esse mar de (des)conhecimento, de vazio e ignorância me cerca, às vezes fica difícil… ignorar. Voltamos à ignorância? E o sentido, onde fica? Posso persistir, ou melhor, teimar em ignorar o ignorável, mas, veja, aquilo que não se pode evitar sempre acaba voltando, em doses esparsas, agônicas e belas. “Belas” não é bem a palavra, perdão. Cruéis. Sim, cruéis. As pessoas são cruéis. É natural machucar, trair e dilacerar o sentido. E desfazer esse sentido. Ah, esse sentido, maldito, que insiste em voltar. Suma.

Sumir é aceitar o vazio. Mas quem disse que é fácil? Poucos podem se apropriar dessa palavra. Fácil. Facilitar. Facilitar a facilidade. Facilidade em dificultar. Está soando muito artificial? Pomposo? Ou talvez fútil. Vazio, quem sabe. Sim, o vazio insiste em nos cercar. “Nos”? Não existe “nos”, existe o “eu”, o “aqui”, “agora” e o nada. Sem aspas. Porque o nada é essencial. E a essência…

Deus, que essência? Aliás, que “deus”? Uma dose extra de autopunição e as coisas começam a ficar mais claras. Porque no escuro é difícil distinguir a claridade. Não. No escuro, não existe claridade. É só uma ilusão. Ou desejo. Ou ambos. Importa? Sim. A importância é uma mera medida, uma idiossincrasia patética, ou não, ou sim, ou o que importa? Voltamos à importância. E ao vazio. E no vazio, é claro, tudo é escuro, e frio, e intenso, e valioso.

Valioso. Adjetivo que denota importância. Quase nada importa. De novo, dando voltas e voltas e voltas e chegando a lugar algum. Esse lugar não me pertence, e é recíproco. Também quase nada é recíproco. Deveria ser, mas já é outra questão; não queira atribuir a mim aquilo que não me cabe.

Quanto cabe dentro do vazio? Pouco. Ou muito. Tudo – ou nada. Importa? O que importa é que machuca. O quê? Tudo. Ou nada. Ou ambos. E ambos acabam desaguando naquele velho mar de escuridão, e dor, e pouco, e… insignificância. Pouco significa, pouco vem, muito vai. Estou indo, e não pretendo voltar.